Escrevi um livro. E agora?

Dentre as várias dúvidas que costumo receber de leitores do Conexão Autor uma das mais frequentes é sobre o que fazer depois de concluído o processo de escrita de uma obra. “Escrevi um livro. E agora?”: essa dúvida é mais comum do que possa parecer. As dificuldades e obstáculos não terminam junto com a produção do texto, pelo contrário, às vezes é aí que realmente começam.

Se durante muito tempo havia apenas um caminho viável para quem queria se tornar escritor, as novas tecnologias e as mudanças no mercado editorial e na postura dos autores mudaram bastante esse cenário. É importante, então, que você conheça quais são as suas opções para decidir qual a que melhor se enquadra em seus objetivos e como quer direcionar sua carreira. É isso que vamos ver neste post.

O que vem depois do “escrevi um livro”

A primeira coisa a fazer assim que você estiver pronto para dizer “escrevi um livro” é registrá-lo. Muitos costumam negligenciar essa parte, mas ela é essencial para garantir os seus direitos autorais mais tarde. No Brasil, o registro é feito pelo Escritório de Direitos Autorais (EDA) da Biblioteca Nacional, e você pode encontrar todas as informações necessárias ao registro de uma obra aqui.

Com o registro de sua obra em mãos, é hora de lançar-se no mercado, e isso pode ser feito de várias formas: publicação via editora comercial, autopublicação ou crowdfunding. Cada uma tem seus prós e seus contras. Vamos, então, conhecê-los melhor a seguir:

Editoras comerciais

São as editoras que bancam a publicação do seu livro. Você não irá pagar nada à editora, que arcará com todas as despesas de diagramação, capa, preparação do original, revisão, ilustração (se for o caso), impressão, distribuição e divulgação. Em contrapartida, você receberá um percentual sobre o preço de capa quando seus livros forem vendidos, que normalmente é de 10%. O restante serve para cobrir os custos que a editora teve, a parte dela do lucro e a grande fatia que acaba ficando com as livrarias.

Essas editoras costumam receber uma grande quantidade de originais todos os dias e procedem à avaliação julgando não apenas a qualidade literária do material mas também seu potencial mercadológico – afinal, editoras vivem do lucro da venda de seus livros. Mas nem todas as editoras estão abertas o tempo todo para receber originais. Antes de mais nada, procure conhecer o perfil da editora (e uma boa maneira é visitando o seu site) e verificar se ela está recebendo originais para análise no momento. Em seguida, certifique-se do método pelo qual ela aceita receber os livros: envio online, arquivo digital ou impresso. A partir daí é só preparar seu original, não esquecendo de fazer uma última revisão (ISSO É ESSENCIAL) e preparar uma sinopse da sua história.

O passo seguinte é munir-se de paciência, muita paciência. Nem todas as editoras dão uma resposta quando decidem pela não publicação de uma obra, e as que dão podem demorar muuuuito, dado o volume de originais que costumam receber. Mas, mesmo que você seja agraciado com um contrato para publicação, seus problemas podem não acabar aí. O escritor Alexandre de Castro Gomes já fez um post aqui para o blog falando sobre o que pode acontecer depois que a editora resolve publicar seu livro (inclui um incrível fluxograma que ele fez e que ilustra muito bem o processo).

VANTAGENS: a publicação por uma editora comercial é uma espécie de aval para o seu livro. Entende-se que ele tenha passado pela avaliação profissional e considerado com qualidades para ser editado. Livros publicados por editoras comerciais costumam ter mais credibilidade junto à crítica especializada e ao próprio público.

DESVANTAGENS: o percentual de direitos autorais que você ganha é muito pequeno, o processo de seleção costuma deixar de fora muito material bom e a quantidade de livros selecionados para publicação está aquém do esperado.

Escrevi um livro. E agora?

Autopublicação

De alguns anos para cá a autopublicação ganhou espaço como alternativa viável para muitos autores. Grande parte dos que têm concluído o processo de “escrevi um livro” optam pelo caminho da autopublicação, alavancada pelas novas opções tecnológicas.

Inicialmente a autopublicação restringia-se às editoras prestadoras de serviço que, diferentemente das editoras comerciais (que bancam a publicação do seu livro), cobram por todo o serviço: diagramação, capa, preparação do original, revisão, ilustração (se for o caso) e impressão. Feito o serviço e tendo recebido por ele, a editora lhe entrega todos os livros prontos, cabendo a você cuidar da distribuição e divulgação.

Com a internet, o surgimento do ebook e a impressão sob demanda, surgiram diversas opções de plataforma de autopublicação, dependendo de como você quer distribuir o seu livro. Neste post listei algumas plataformas que você pode querer conhecer.

VANTAGENS: você tem total controle da sua obra, já que você está bancando então decide todas as etapas do processo. Além disso, na grande maioria dos casos você é que decide por quanto o livro será vendido e, tirando o que gastou com a edição da obra, todo o resto é lucro seu.

DESVANTAGENS: você não tem a chancela de uma editora comercial como garantia de qualidade, já que seu livro não passou por nenhum processo seletivo. E, também, no caso de livros impressos, você pode ter dificuldades se já não tiver uma rede de distribuição bem estruturada, isso porque livrarias não costumam pegar livros diretamente de autores para vender, apenas de distribuidoras (que são contratadas pelas editoras para colocar os livros no mercado). O que acontece, então, é que você fica com um pilha de livros em casa, muitas vezes sem conseguir fazê-los chegar até o consumidor final.

Crowdfunding

O crowdfunding, ou financiamento coletivo, é uma modalidade de publicação que poderia estar incluída na autopublicação, mas que preferi colocar separado por alguns motivos. Essa modalidade de financiamento que vem se tornando cada vez mais popular no mundo inteiro não se restringe à literatura, servindo para qualquer tipo de projeto, mas os autores logo perceberam o seu potencial.

O motivo – e principal diferença – de por que não coloquei o crowdfunding juntamento com as demais plataforma de autopublicação é que, naquelas, você primeiro publica o seu livro e depois tenta conseguir leitores que o comprem e paguem o custo que você já teve, além do lucro a que tem direito. No crowdfunding, quando o livro é publicado ele já está totalmente pago e, se previsto no seu planejamento, inclusive com o seu lucro incluído – além do fato de já ter seu público garantido.

Isso porque o financiamento coletivo, como o próprio nome sugere, é o financiamento de um projeto pelas pessoas que querem vê-lo realizado, contribuindo para a sua produção. No caso do livro, pessoas que têm interesse em ler o seu livro pagam antecipadamente pela sua edição. Se o seu projeto for bem-sucedido, ou seja, conseguir todo o dinheiro necessário previsto, você o produz com todas as despesas já pagas e, depois de pronto, entrega o livro a quem o financiou, ficando ainda com uma quantidade para venda.

No Brasil, existem várias plataformas de crowdfunding. Há algum tempo fiz um post falando sobre o processo e entrevistando dois autores que tiveram projetos bem-sucedidos nessa forma de publicação.

VANTAGENS: você também tem total controle sobre todas etapas do processo, você que determina quanto quer obter de lucro e o dinheiro para todos os custos está garantido.

DESVANTAGENS: você tem que cuidar e providenciar todas as etapas, já que não há uma editora cuidando da edição. Além disso, fora os livros que serão enviados aos apoiadores, os demais também ficarão com você e será difícil colocá-los em alguma livraria para venda. Sem contar que será necessária um campanha massiva de comunicação para angariar os apoiadores que irão financiar o seu livro porque, na maioria das plataformas de crowdfunding, se o projeto não alcançar 100% do valor estipulado (não for bem-sucedido), o que foi angariado é devolvido aos apoiadores e você não recebe nada.

Portanto, se você chegou naquele estágio de dizer “escrevi um livro”, chegou a hora de escolher como você pretende inseri-lo no mercado.

Você tem experiência com algum dos casos apresentados acima? Conte pra gente.

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Sobre o Autor

Ronize Aline
Ronize Aline

Ronize Aline é escritora e consultora literária. Já foi crítica literária do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, e trabalhou como preparadora de originais para várias editoras nacionais. Atualmente orienta escritores a desenvolverem suas habilidades criativas e criarem histórias com potencial de publicação.

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