O escritor carioca Alberto Mussa, autor de O senhor do lado esquerdo, diz que uma cidade se define pela história de seus crimes. Foi a partir desse mote que ele escreveu o Compêndio Mítico do Rio de Janeiro, uma coleção de cinco novelas policiais, uma para cada século da história carioca. Novelas que se confundem com a própria criação da cidade, seus heróis e anti-heróis urbanos. O compêndio é um misto de romance policial, romance histórico e narrativa mitológica da cidade maravilhosa.
O senhor do lado esquerdo é o quinto livro desse Compêndio e venceu os seguintes prêmios: Casa de Las Américas, Prêmio da Academia Brasileira de Letras, Prêmio Machado de Assis (da Biblioteca Nacional) e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte.
Além disso, as obras de Alberto Mussa já foram publicadas em 17 países e 15 idiomas.
A história do Senhor do Lado esquerdo se passa em 1913 e o cenário principal é um palacete histórico no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, que já foi casa da Marquesa de Santos (um presente de Dom Pedro I a ela), do Visconde de Mauá e, na década de 1970, foi transformado em museu.
Na história, essa casa é uma clínica de ginecologia e obstetrícia que é, na verdade, uma fachada para um grande prostíbulo de luxo. Além disso, também funcionava como uma casa para encontros de casais, chamada de Casa das Trocas. Uma precursora das casas de suingue.
Nessa Casa das Trocas, acontece o assassinato do secretário da Presidência da República. Na época, o presidente era Hermes da Fonseca. Para evitar escândalos, já que o morto era o secretário do Presidência e estava nesse ambiente não muito recomendado, o fato de ter sido um assassinato é encoberto, mas existe a investigação, feita secretamente, que vai transcorrer ao longo do livro.
Há um perito, que é incumbido de fazer a investigação porque ele também é frequentador da casa com a mulher. É um dos personagens principais do livro.
O livro tem características de meta-ficção. O narrador-autor conversa com o leitor e discute os caminhos da trama. Ele diz o que vai e o que não fazer. Ou seja, a percepção ao longo da leitura mimetiza a sensação de estarmos acompanhando a criação da própria narrativa. Como se a história ainda não estivesse pronta para ser lida mas, sim, estivesse sendo construída à nossa frente.
Neste livro, Mussa, tal qual Sherazade, vai nos enredando em tramas e mais tramas ao longo do livro. Paralelamente à história principal, o autor vai mesclando outras pequenas narrativas sobre a história do Rio de Janeiro que, de alguma forma, se entrelaçam à trama. É como se ele fosse puxando sempre novos fios narrativos que vão criando uma teia e enredando o leitor, que não consegue parar de ler porque há sempre novos elementos que se enroscam ao que está sendo contado.
Um fato interessante que Mussa já comentou em entrevistas é que seus livros sempre começam a ser escritos pelos títulos. A partir do momento em que o título é definido, ele não muda mais até o final da escrita. O autor diz que usa o título para ilustrar bem o que será desenvolvido na história e, quando o define, já tem o ambiente em que a narrativa vai se passar. E o seu processo criativo consiste em pensar muito na história antes de colocá-la no papel: planeja o livro todo na cabeça para depois iniciar a escrita que, segundo ele, é um processo relativamente rápido depois do planejamento.
Este é um livro denso, com muitos fatos sendo apresentados paralelamente à narrativa policial, mas muito envolvente. À medida que esses fatos vão sendo trazidos para primeiro plano, nós entendemos melhor como foi sendo construída a cultura da cidade e, por consequência, o comportamento dos personagens.
Os quatro primeiros volumes do Compêndio, em ordem cronológica das histórias, não em ordem de publicação, são: A primeira história do mundo, O trono da Rainha Jinga, A biblioteca elementar e A hipóteses humana.

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