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Já é Natal, fala-se por todo lado. É só olhar as vitrines enfeitadas e a correria para compra de presentes. Mas há algo para além desse frenesi consumista, o chamado “espírito do Natal”. Muitos podem alegar que esse já se perdeu há muito tempo, que as pessoas esqueceram o real significado da data, mas há espaços que ainda carregam em si um sopro que ultrapassa os quereres materialistas. Um desses espaços é a literatura, que guarda em si o poder da transformação. A bola de neve, de Ana Cristina Melo com ilustrações de Bruna Mendes, é um desses livros infantis que carregam a amplitude dos grandes sentimentos dentro de si. E, entre esses sentimentos, deixa-nos sentir esse sopro muito bem-vindo do espírito natalino.

 

E lá vem a bola de neve…

O que é uma bola de neve? Literalmente, neve que vai se juntando e,  já transformada em bola, rola e rola e vai ficando cada vez maior. Metaforicamente, situação que vai se complicando e, já transformada em problema, vai ficando cada vez maior. Bolas de neve são impossíveis de parar, viram avalanche, tanto faz se são literais ou metafóricas, certo? Pois o livro A bola de neve vem mostrar que nem sempre precisa ser assim.

 

 

A bola de neve

 

Uma boa de neve pode começar em qualquer lugar: dentro de casa, na rua, no transporte público, na escola, no trabalho… Com neve? Não, com revolta, falta de paciência, egoísmo, antipatia… Basta uma simples palavra, que vai rolando, rolando e aumentando de tamanho. Ana Cristina Melo traz uma fábula dos tempos modernos em que a agressividade, infelizmente, impera nas relações pessoais. Nessa história, ninguém olha para o outro, se importa com o outro. Os personagens estão tão centrados em si próprio que não percebem o quanto suas atitudes alteram o ambiente ao redor.

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“Ninguém sabe de onde ela veio. Alguns dizem que nasceu do grito de revolta de uma mulher, lá no meio do trânsito…” A narrativa rola tal qual bola de neve, mas em vez de promover o conflito a história promove uma compreensão de que pequenos atos geram grandes consequências. Pode começar pequenininha, mas uma atitude pessoal junta-se a outra, a outra, a mais uma e, lá no final, um conflito imenso se formou. Ana Cristina representa muito bem essa conexão entre fatos isolados mostrando a importância de pensarmos mais à frente, e não apenas no momento.

 

O projeto gráfico e as ilustrações de Bruna Mendes envolvem a história de tal modo que não há separação entre palavras e desenhos. O traço de Bruna ajuda a compor o encantamento da narrativa que, tal qual uma bola de neve, vai aumentando a cada página. Só que em vez de uma avalanche destruidora, a história desemboca em uma avalanche final que recupera o quase esquecido espírito natalino.

 

A bola de neve
Ana Cristina Melo
Ilustrações de Bruna Mendes
Editora Bambolê, 2017
24 páginas

A bola de neve: um sopro de espírito natalino

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

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