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Calma, você não caiu por engano em um blog matemático. Aqui é o Conexão Autor e a Regra de Três sobre a qual vou falar é um recurso literário muito utilizado não só em narrativas atuais como nos mitos de origem, lendas e contos de fadas. A ideia por trás desse recurso é o uso de três repetições para se chegar a um resultado – que pode ser aprender uma lição, alcançar um objetivo ou estabelecer a graça em uma situação cômica – sendo que a terceira é diferente da duas primeiras. Nesse post vamos falar um pouco mais sobre a Regra de Três e como você pode usá-la para incrementar a sua história.

O que é a Regra de Três

A técnica da Regra de Três baseia-se na apresentação sucessiva de três elementos relacionados a fim de alcançar um efeito literário. É baseada numa técnica de retórica que diz que as pessoas tendem a lembrar-se de três coisas que ouviram, por isso os discursos são construídos sobre três itens a serem apresentados. O lema dos Jogos Olímpicos, por exemplo, é: mais rápido, mais alto, mais forte. E o padrão de construção da Regra de Três é: similar, similar, diferente. Sendo que esse terceiro elemento, em muitas histórias, tende a ser o alívio cômico, o “diferente” que vai trazer um toque de humor, de leveza à circunstância. Vamos dar uma olhada em Harry Potter. Apesar de o personagem que dá nome à saga ser o protagonista, ele forma com Hermione e Rony a tríade que encabeça todos os livros da série. E o terceiro elemento, Rony, é o que acaba trazendo o já citado alívio cômico.

 

regra de três - os três mosqueteiros
“Os três mosqueteiros”, obra de Alexandre Dumas

 

Parece que adoramos o número três, não é? Pense em tantas coisas que são apresentadas seguindo esse ritmo: os três reis magos, contar até três, as três luzes do semáforo, ego-superego-id (princípio básico da psicologia freudiano), “vim, vi e venci”, a santa trindade, as famosas trilogias, o tempo (passado, presente e futuro) e tantas outras situações. Essa estrutura também é o princípio básico dos contos de fada. Lembre-se das três fadas madrinhas da Bela Adormecida, dos três desejos do gênio da lâmpada, dos três ursos da Cachinhos de Ouro, dos três porquinhos… Em outras histórias, temos os três mosqueteiros, os três patetas, e por aí vai… Mas a Regra de Três pode aparecer também situações narrativas, e não apenas nos personagens. Um exemplo é Cinderela, em que as duas irmãs adotivas falham em conquistar o príncipe e a terceira, a própria Cinderela, consegue conquistar seu coração. Isso sem falar na estrutura tradicional de um texto literário, formada por três atos. Eis a Regra de Três espalhada por aí…

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Como o nosso cérebro está tão acostumado a situações que se apresentam em três etapas, ao utilizar a Regra de Três estamos colocando em prática um esquema facilmente reconhecível no momento da leitura. É algo com o que nos sentimos confortáveis, e que continua surtindo o mesmo efeito. Observe livros e filmes que você tem visto ultimamente e perceba em que situações esse recurso é utilizado. E, querendo utilizá-lo em sua história, não se esqueça: a Regra de Três encaixa-se tanto para personagens quando para cenas. Seu protagonista não pode alcançar o objetivo logo de cara. Ele precisa tentar e fracassar. Tentar e fracassar. Tentar e… conseguir! Lembre-se que o terceiro elemento difere dos outros dois.

E você, já usa a Regra de Três nas suas histórias ou nunca tinha ouvida falar dela? Conte pra nós nos comentários.

Regra de Três: como usar esse recurso em narrativas

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

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2 ideias sobre “Regra de Três: como usar esse recurso em narrativas

  • 05/06/2017 em 16:01
    Permalink

    Muito interessante enxergar estas características como um recurso. Sem ter isto refletido eu dividia a estrutura de três atos em três partes menores cada um. Vai ser interessante voltar os olhos para algo que eu usava na prática com uma visão renovada e mais domínio do que estou fazendo.

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  • 06/06/2017 em 13:33
    Permalink

    Muito bacana. Regra de três, sempre vi, mas nunca percebi como agora após ler este artigo. Parabéns!

    Resposta

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