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Harry Potter

Origami é a arte milena japonesa de dobradura de papel com a qual se faz as mais diversas figuras. No começo praticada apenas por adultos, com o passar do tempo passou a fazer parte das brincadeiras infantis e acabou espalhando-se pelo ocidente. As figuras representadas no origami têm diferentes significados, como o caso do tsuru, que simboliza paz e felicidade. Mas uma coisa todas têm em comum: a perecibilidade. Por ser feito de papel, o origami está sujeito ao desgaste natural do tempo, sem falar em outros possíveis danos. Ou seja, origami já nasce para não durar muito. E quando alguém lamenta essa breve vida de algo tão bonito, capaz de trazer tanto encantamento, os orientais têm uma explicação na ponta da língua: assim é o ciclo da vida, breve. Foi justamente a beleza e a perecebilidade do origami que me vieram à mente ao ler Pablo e o ciclo da água, livro infantil de Raquel Ribeiro com ilustrações de Andréia Vieira, lançado pela Editora Bambolê.

O ciclo da vida de Pablo e de todos nós

O livro conta a história de Pablo, um boneco de neve que vive sozinho no alto de uma montanha, sem muitas emoções, até que o encontro com três meninas muda sua vida. Na companhia de novos amigos, ele inicia uma corajosa jornada de transformação guiada pelas forças da natureza. Essa jornada mostra que, se por um lado vivemos momentos perecíveis como a própria vida, por outro lado temos a oportunidade de ver além e transformar nossa própria existência.

 

Pablo e o ciclo da água

 

“Pablo nasceu na neve, no alto de uma montanha, em Sierra Nevada”, assim começa a história de Pablo e o ciclo da água. Esse é um daqueles livros que, ao ler, você pensa: “Eu não mudaria um ponto sequer”. São muitos acertos, e todos eles contribuem para a leitura seja um momento de encantamento, tal qual a construção de um origami. Pouco a pouco a história vai se formando à sua frente, tal qual as dobraduras que vão fazendo um simples pedaço de papel transformar-se em um lindo pássaro. E o primeiro acerto é a escolha da narrativa. Falar sobre a brevidade da vida pode, por vezes, soar triste. Não no texto de Raquel. A autora transforma um momento de fim em um momento de renovação, de forma tão leve e poética que não nos sobra angústia ou desolação, mas o contentamento do recomeço.

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O segundo acerto foi a escolha do protagonista. Pablo é o protagonista. Há as três meninas – Chantal, Bebel e Carol -, mas é Pablo que está presente em todos os momentos do texto. É ele que passa pelas transformações do tempo, é ele que o nosso olhar acompanha sem conseguir desgrudar. É é do ponto de vista de Pablo que a história é contada: “Nessa hora, descobriu seu nome, porque as primas chegaram gritando, preocupadas com a pequena esquiadora”.

 

A escolha da ilustradora é o terceiro acerto desse livro. Depois de ler Pablo e o ciclo da água, não consigo imaginar a história com outras ilustrações que não as de Andréia Vieira. Se Raquel criou o cenário e os personagens que movimentam a história, Andréia fez com que saltassem da página e ficassem bem pertinho de nós. As ilustrações são feitas a partir de perspectivas e ângulos diferentes e, algumas vezes, até inusitados, privilegiando o ponto de vista do protagonista. Dessa forma, ela nos coloca no lugar do próprio Pablo, fazendo dos olhos do dele os nossos próprios olhos. Assim, sentimo-nos não apenas leitores, mas personagens dentro da história.

 

Pablo e o ciclo da água

 

E, por último, mas não menos importante, o quarto acerto foi a escolha da editora. Uma história pode crescer e extrapolar os limites físicos do livro – como é o caso de Pablo e o ciclo da água – ou ficam aquém de seu potencial. E a editora tem um papel muito importante nisso. A Editora Bambolê vem apresentando, a cada lançamento, obras que instigam, fazem pensar, divertem e ocupam lugar permanente na mesa de cabeceira.

 

“Fim da história? Nada disso! Pablo, Pilar e Miró ficaram com medo, claro: eles não queriam mudar de estado, virar água. Mas resolveram ficar juntos para viver essa grande mudança”. Ao falar sobre o ciclo da água, Raquel nos fala do ciclo da vida, e de como a nossa caminhada se torna mais leve quando feita junto com amigos. Tanto as primas Chantal, Bebel e Carol quanto os bonecos de neve Pablo, Pilar e Miró são exemplos de que  a única coisa que não podemos nessa vida fazer é ficarmos sozinhos.

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Pablo e o ciclo da água
Raquel Ribeiro
Ilustrações de Andréia Vieira
40 páginas
Editora Bambolê, 2017

Pablo e o ciclo da água: uma ode à brevidade da vida

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

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