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Se algum dia você for ao Polo Norte não se esqueça de fotografar os pinguins e ursos polares que encontrar por lá. Não viu nada de errado na frase anterior? Então talvez você seja uma das pessoas que ainda confundem os polos e os animais que vivem em cada um – a propósito, ursos vivem no Polo Norte, pinguins, no Polo Sul. O novo livro infantil de Alexandre de Castro Gomes com ilustrações de Cris Alhadeff usa essa confusão corriqueira como pano de fundo para narrar uma divertida aventura que atravessa o nosso planeta de polo a polo. É Como pode um pinguim no Polo Norte?, lançamento da Editora Bambolê.

 

A história desfaz esse mal entendido polar – que não é prerrogativa das crianças – com muita engenhosidade. “Nina saiu da água gelada com um peixe no bico. Olhou em volta e viu que tinha nadado para muito longe de casa.” Nina, a protagonista, é uma pinguim e nesse momento ela ainda não tinha ideia de quão longe de casa ia de fato parar. E tudo por causa de um imenso buraco ligando os dois polos do planeta.

 

Longe do seu habitat, a pequena pinguim irá enfrentar perigos muito diferentes dos que está acostumada, inclusive ficando frente a frente com o famoso urso polar. Mas ela não estará sozinha. Frida, a foca, não só a ajuda a livrar-se dos predadores locais como serve de cicerone, mostrando a vida e as belezas da região. Junto com Nina, o leitor vai sendo levado pela mão para essa região da qual muito se fala mas pouco se conhece de fato. A curiosidade de Nina é também a nossa curiosidade e, enquanto nos divertimos com a leitura, vamos conhecendo um pouco mais desses personagens típicos, como os esquimós, mas também outros menos falados, como os narvais e caribus.

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como pode um pinguim no polo norte
Ilustração de Cris Alhadeff

 

Mas não é apenas o Polo Norte que aparece no livro. O Polo Sul, terra da nossa pequena protagonista, também desperta a curiosidade da foca. “Você podia aproveitar e voltar comigo. Está começando a ficar bem escuro aqui, e lá também há muito para conhecer. Temos vários tipos de pinguins, elefantes-marinhos, petréis, albatrozes, baleias-francas, azuis e cachalotes…”, instiga Nina, àvida para que a nova amiga a acompanhe até em casa. A construção do texto é feita de forma que fato e ficção se entrelacem, criando uma atmosfera lúdica a partir de dados reais.

 

Cris Alhadeff, cujas ilustrações já enriquecem tantos trabalhos infantojuvenis, recria nesse Como pode um pinguim no Polo Norte? a atmosfera da gelada região. Seus cenários e habitantes compreendem tanto os contornos palpáveis da realidade quanto as ousadias próprias da criação artística.

 

A pena experiente de Alexandre e o traço envolvente de Cris nos fazem caminhar por um mundo real dentro de um mundo imaginário – ou seria o contrário? – sem que seja possível perceber os limites de cada um. O livro é, na verdade, uma encantadora expedição por esse mundo do qual já temos vários referências colhidas ao longo de histórias e lendas, mas com um novo sopro de curiosidade pelos cantos ainda a serem desbravados – por Nina e também pelos leitores.

 

Como pode um pinguim no Polo Norte?
Alexandre de Castro Gomes
Ilustrações de Cris Alhadeff
Editora Bambolê
36 páginas

Como pode um pinguim no Polo Norte?

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

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