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Criação Literária

Como fazer literatura: escritores dão dicas para turbinar sua escrita criativa

Que tal acompanhar uma conversa entre escritores na qual discutem suas ideias sobre literatura, processo criativo, crescimento profissional e referências literárias? O escritor Eduardo Spohr, juntamente com Thiago Cabello, recebeu em seu podcast Desconstruindo três escritores para falar sobre Escrita Criativa. Eu tive o prazer de estar entre os convidados e fazer parte dessa riquíssima troca de experiências de como fazer literatura, seja para um escritor iniciante seja para quem já está no mercado. Os outros dois autores que participaram do podcast foram Eric Novello e Marcelo Amaral.

 

Durante a conversa, vieram à tona assuntos como a importância de continuar se aperfeiçoando, estudando, lendo sobre técnicas literárias. “Você tem que começar de algum jeito… No primeiro contato com a literatura você não tem tantas ferramentas, não tem uma capacidade de análise do teu trabalho, como vai ter mais adiante”, disse Eric Novello. Isso se reflete nos livros, e é possível perceber, ao longo da carreira, a evolução de cada um, já que no primeiro livro o autor ainda não está maduro.

 

fazer literatura - eric novello
Eric Novello – Divulgação

Antes de falar sobre a carreira de escritor, cada um dos participantes comentou como se fez leitor: o primeiro contato com a literatura, as leituras marcantes, as principais influências e a passagem de leitor a escritor. É quando a paixão se transforma em ofício. Marcelo citou, principalmente, os gibis e a obra de Marcelo Rubens Paiva entre suas referências para fazer literatura. E Eric falou sobre a importância de ler seus pares, outros escritores, na busca por esse crescimento dentro da profissão.

 

Outro assunto que permeou a conversa foi que, em tempos de mídias digitais, o retorno do leitor é imediato. Como lidar com as críticas, que muitas vezes acabam sendo instantâneas? Dois exemplos positivos citados foram a campanha de lançamento nas redes sociais que criei para meu primeiro infantil, O Dono da Lua, e a publicação das tirinhas do Marcelo, “Ser pai de menina é…”, também nas redes sociais.

 

Eduardo Spohr - Foto: Paula Johas
Eduardo Spohr – Divulgação

 

Eduardo destacou a importância de o autor não ficar buscando a perfeição na primeira obra e, sim,  dar o primeiro passo, lançando-se no mercado. “A pior literatura possível eu respeito porque esse cara teve coragem de se lançar. Faz parte de ser escritor ter coragem e dar a cara a tapa”, declarou.

 

As dicas para fazer literatura

Ao longo do podcast, foram várias as dicas e as experiências compartilhadas entre os escritores. Entre essas experiências está o processo criativo de cada. Eric, por exemplo, costuma escrever suas histórias em escaleta, um hábito que trouxe do cinema. Antes de escrevê-las, porém, gosta de pensar muito sobre elas, construir e desconstruir possibilidades.

 

fazer literatura - marcelo amaral
Marcelo Amaral – Divulgação

 

Marcelo aproveita sua experiência como desenhista para criar personagens primeiro no desenho, para só então traduzi-los para a literatura. No meu caso, gosto de planejar cada parte da história: plot, perfil de personagem, conflito e cada um dos capítulos, mesmo que ao longo da escrita a história te surpreenda com alguma reviravolta. Eduardo confirmou usar o mesmo método de planejamento, dizendo que isso lhe dá segurança na escrita. Mas citou Stephen King, que diz que quem planeja é um idiota. Isso só mostra que é importante que cada autor descubra o que funciona para si na hora de fazer literatura.

 

Sobre o que cada um diria para quem está começando, Eric sugeriu conviver com seus pares, formar grupos, interagir e, principalmente, respeitar o seu ritmo individual na carreira. Evitar comparar seu desempenho no mercado com o de seus colegas. Eduardo ressaltou que não é preciso ser melhor do que os outros, você tem apenas que fazer o melhor que você consegue dentro da sua capacidade. Marcelo falou sobre a importância da leitura, de descobrir os gêneros que lhe agradam e, também, as referências que podem seguir de inspiração. Eu acrescentei a necessidade de conhecer o próprio ofício – e aí entram as oficinas literárias, os cursos e, também, a leitura de outros autores. É preciso ter humildade para saber que se sempre se pode melhorar. Fazer literatura é um movimento contínuo, ininterrupto, não dá para ficar estagnado e achar que já chegou ao seu melhor.

 

ronize aline fazer literatura
Ronize Aline – Divulgação

 

Essas foram apenas algumas partes dessa deliciosa conversa, mas vale a pena ouvi-la por inteiro e observar como cada um desses autores desenpenha o seu ofício na prática, o que nos move e nos leva a fazer literatura com imensa paixão. Você pode acessar o podcast Desconstruindo – Escrita Criativa nesse link: http://www.filosofianerd.blogspot.com.br/2015/12/desconstruindo-16-escrita-criativa-com.html.

 

O Conexão Autor já entrevistou o Eduardo Spohr e trouxe um pouco mais sobre a sua carreira e sua obra. Veja essa entrevista aqui.

Ronize Aline

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

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