razões de ter livro rejeitado
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7 razões de ter seu livro rejeitado

Quem nunca teve um livro rejeitado por uma editora que atire a primeira pedra. Ou levante a mão, pois é alguém de sorte. Ter livro rejeitado faz parte da carreira de todo escritor (é claro, sempre há exceção), inclusive dos que hoje são vistos como autores bem-sucedidos no mercado editorial. É como um ritual de passagem, uma provação pela qual temos de passar para ver se somos persistentes e confiamos em nosso trabalho.

Mas ter livro rejeitado também cumpre um importante papel: o de dar oportunidade de alterarmos aquilo que não está funcionando bem na obra. Nem sempre a resposta negativa da editora vem com justificativa no que diz respeito à qualidade do original – pelo menos no Brasil. Quando recebe-se a negativa – porque nem toda editora dá um retorno ao autor sobre o livro enviado – normalmente costuma ser alegando o não investimento em novos autores ou catálogo completo. Mas há casos conhecidos de autor que, posteriormente, conseguiram uma carreira sólida na literatura e que, inicialmente, receberam comentários negativos sobre seu trabalho.

Conheça alguns famosos que tiveram seu primeiro livro rejeitado

Stephen King foi rejeitado 30 vezes antes de ser publicado. Uma das cartas de recusa a Carrie, a estranha dizia: “Nós não estamos interessados em ficção científica que trata de utopias negativas. Elas não vendem.”

J.K. Rowling teve seu Harry Potter e a Pedra Filosofal rejeitado 12 vezes, inclusive por grandes editores. Um deles disse que ela não deveria perder “mais nem um dia sequer de trabalho”.

Jack Kerouac recebeu as seguintes palavras de um editor sobre o seu On the road: “Sua prosa frenética e embaralhada expressa perfeitamente as viagens febris da Geração Beat. Mas isso é suficiente? Acho que não.”

Agatha Christie enviou seu primeiro livro, O misterioso caso de Styles, para seis editoras antes de conseguir publicá-lo. E, mesmo assim, seu trabalho só foi ser reconhecido três livros depois.

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Mas por que você teve seu livro rejeitado?

Mesmo que você não tenha recebido uma carta de recusa com explicações sobre por que teve um livro rejeitado, estudos mostram que há algumas razões que se repetem e têm sido apontadas por muitos editores ao longo dos anos. São elas:

1. A obra não parece autêntica. Isso acontece quando o autor que segui alguma tendência com o objetivo de fazer dinheiro com o livro. Em vez de tentar encaixar-se em alguma categoria de sucesso, procure escrever algo que tenha a ver com você, algo que seja seu e que revele o que pretende mostrar ao mundo.

2. O livro é muito complexo. Entenda-se como coplexo, aqui, o fato de a narrativa conter personagens demais, cenários demais, conflitos demais, reviravoltas demais, tudo demais. O autor iniciante, muitas vezes na ânsia de parecer mais competente, exagera na construção de sua história. É preciso saber medir o que é realmente necessário à narrativa e o que pode ser descartado.

3. A história não seduz desde o início. Assim como o leitor, o editor também precisa ser cativado pela sua narrativa desde o início. Começos mornos e chatos costumam condenar todo o restante, e são grandes as chances de ter o livro rejeitado. Capriche no início da sua obra, faça com que o leitor – e o editor – não queiram largá-la até chegar ao final.

4. O protagonista não é interessante. Leitores se interessam por personagens, se importam com eles, querem acompanhar sua jornada e torcem pelo melhor final possível. Mas se você apresenta um protagonista chato e sem atrativos, por que alguém vai se importar com ele e continuar lendo?

5. O livro tem um quê de auto-ajuda. Muitos originais são rejeitados porque o autor escreve uma história de ficção não como literatura, mas como manual ou guia de auto-ajuda. Fica o tempo todo tentando passar lições de moral ao longo da história e esquece-se de cuidar do desenvolvimento e evolução da narrativa.

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6. A história é repleta de clichês. Isso tira toda a originalidade da obra, que fica parecendo um imenso corte e colagem de frases e ditados conhecidos. Esqueça as frases feitas, a menos que sejam utilizadas com muita criatividade e de uma forma que seja imprescindível à história.

7. Originais são rejeitados, não escritores. Não se esqueça disso. Se você teve um livro rejeitado é porque ELE não foi considerado bom o suficiente para publicação. Não você. Aproveite a oportunidade para melhorá-lo ou, até mesmo se for o caso, se achar que ele tem muitos problemas, deixá-lo de lado e partir para outro projeto. O que não pode é você desistir da sua carreira por causa disso.

Alguns escritores gostam de ter uma opinião especializada sobre o texto antes de enviá-lo para uma editora. No caso de haver problemas que podem ser resolvidos, o texto pode ser mexido antes mesmo de ser lido por um editor, aumentando as chances de ser bem recebido. O nome disso é Leitura Crítica e, assim como eu, há vários tantos outros profissionais no mercado que costumam oferecê-lo.

E você, já recebeu alguma recusa de editora? Como era a carta, veio com alguma justificativa?

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

Ronize Aline

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

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1 Comment

  1. Já recebi recusa do tipo “Apesar de possuir méritos, este livro não se encaixa em nenhuma das coleções sendo editadas no momento.” E uma outra ainda mais frustrante: “Estamos interessados no livro, mas precisamos de pelo menos mais dois, nessa mesma linha, para compor uma coleção.” Infelizmente não consegui escrever outros dois, já que a proposta do primeiro era bastante ousada (um livro que se podia ler também de trás pra frente).

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