fbpx

Patrícia Barboza

A escritora Patrícia Barboza lançou recentemente As Mais 4 – Toda forma de amor, o novo volume da série As Mais que é um sucesso entre as adolescentes. Mas como é escrever para um público que carrega a fama de estar muito mais ligada em tecnologia do que em livros? E qual a diferença na criação de personagens femininos e masculinos? Conheça nesta entrevista o processo criativo e as dicas de Patricia, que não dispensa uma oportunidade de estar em contato e trocar ideias com seus leitores.

Quais são os desafios de escrever para o público juvenil? Você convive com o seu público, acompanha suas aventuras, inspira-se no seu modo de falar, ou é tudo criação sua?

Patrícia Barboza: Eu sou a primeira a me divertir quando escrevo. Amo literatura infanjuvenil. Se é que eu posso considerar assim, um desafio, fico antenada com as coisas que acontecem. A convivência com os leitores nas escolas e eventos literários me inspira muito. Uso muitos desses acontecimentos para criar histórias, mas a grande parte é criada por mim. A observação do cotidiano é a minha grande escola e busco retratá-la nos livros. Dessa forma, o leitor poderá se reconhecer no texto, causando imediata identificação.

Conte pra gente como é o seu processo criativo. Como você começa a escrever um novo livro e quais são as etapas?

Patrícia Barboza: Confesso que fico com inveja dos autores que fazem todo um plano de escrita. Um roteiro, ficha de personagens… Sabem como ele vai terminar mesmo antes de começar a escrever. Não consigo ser assim. No máximo faço algumas anotações e salvo links de matérias interessantes no meu computador. Deixo as idéias virem naturalmente. Eu não sento diante do computador e falo “Vamos lá, Patrícia, que tal uma idéia agora?”. Em todas as vezes que me impus essa rotina não fiquei satisfeita. Ajo de forma intuitiva. Para a minha sorte, essa intuição vem com muita freqüência. Costumo obedecê-la.

Você costuma visitar escolas e está sempre participando dos eventos literários. Qual a importância desse contato com o seu público? Que tipo de retorno você costuma receber e, de alguma forma, isso é aproveitado no seu processo criativo?

Patrícia Barboza: Acho fundamental para desmistificar que o autor é um ser diferente, mágico. Longe disso. É um profissional como outro qualquer, apenas ganha uma visibilidade maior. O contato direto com o leitor faz com que ele enxergue que tudo é possível. Que se ele tem aquele desejo secreto de se tornar escritor um dia, com muito trabalho e esforço vai conseguir. Que não é uma coisa do outro mundo, sabe? E como lido com crianças e adolescentes, acabo conhecendo os pais. Não só nos eventos, mas através das redes sociais também. Eu simplesmente adoro essa interação! Isso mostra que a leitura está envolvendo toda a família e fico muito grata que as minhas histórias estejam proporcionando isso.

O volume 4 de As Mais é o seu nono livro individual. O que mudou ao longo da sua carreira? Você percebe que sua escrita mudou ou desde o primeiro livro seu estilo já estava praticamente definido?

Patrícia Barboza: Sim, minha escrita mudou. Ainda bem! Escrevi o meu primeiro livro entre 1999/2000. Sinto que evoluí e que consigo dar ao leitor um texto melhor a cada dia. A Patrícia de 2014 não é a mesma do ano 2000. Aprendi muito! No meio de todo esse processo, fiz dois cursos de especialização de um ano e meio cada um. Estudei Literatura Infantojuvenil e Produção Editorial. Mas o maior conhecimento mesmo foi adquirido com o trabalho diário, nas escolas, feiras do livro. Aprendi muito e acredito que ainda exista muito que aprender.

LEIA  Os outros dias de Rafael Gallo

as mais, de patrícia barboza

A série As Mais já nasceu como uma série ou foi uma decisão depois de lançado o primeiro volume? Como foi que você percebeu que a história tinha potencial para gerar continuações?

Patrícia Barboza: Terminei de escrever a história em abril de 2010, mas ela só foi publicada em março de 2012 pela Verus, do Grupo Editorial Record. Nunca pensei em ser escritora de séries. Fui pega de surpresa! Quando lancei o livro, a primeira tiragem de 10 mil exemplares esgotou em menos de dois meses. Como os leitores pediram muito pela continuação, após uma reunião com a Verus, decidimos fazer a série. O volume 1 é dividido em quatro partes, cada uma narrada por uma das personagens. Então decidimos que a série teria cinco volumes, com um livro para cada garota, seguindo a ordem da sigla. O livro da Mari, o volume 2, foi lançado seis meses depois do primeiro, em setembro de 2012.

A partir do segundo volume são as próprias protagonistas que passam a narrar as histórias de As Mais. O volume 2 foi narrado pela Mari, o volume 3 pela Aninha e o 4, recém-lançado, é narrado pela Ingrid. Como é trabalhar a mesma história a partir de pontos de vista diferentes? Como você faz para diferenciar o tom de uma personagem do tom de outra?

Patrícia Barboza: Desde o primeiro livro, as personagens narraram as suas partes. O desafio já tinha sido lançado desde então, quando resolvi criar quatro garotas com personalidades completamente diferentes. A partir do livro 2, todas as personagens participam ativamente das histórias, o que vai mudar é a narradora. Os volumes têm continuação e mudo a linguagem de acordo com a personalidade de cada uma. É um exercício difícil de ser feito, mas muito prazeroso. Como gosto de escrever em primeira pessoa, tenho a oportunidade de viver quatro vidas diferentes na hora de escrever.

O seu livro Confusões de um garoto fala das mudanças da adolescência mas sob o ponto de vista de um protagonista masculino. Como é colocar-se no lugar de um menino e perceber o que o incomoda nessa fase? Como foi a construção do personagem?

Patrícia Barboza: Como o livro é escrito em primeira pessoa, foi um grande desafio! Eu não tenho irmãos nem filhos, então construí a personalidade do Zeca através de muita pesquisa. Entrevistei muitos garotos e li muitos textos escritos por eles para entender melhor como pensavam. Lancei o livro na Bienal de São Paulo de 2010, pela Ciranda Cultural. O livro foi comprado por muitos garotos da faixa etária de 10-12 anos. Um mês depois comecei a receber mensagens deles, dizendo o quanto tinham se identificado com o personagem. Confesso que foi um alívio e tanto! Bateu aquele sentimento de dever cumprido.

Você participou de O Livro das Princesas, no qual quatro autoras recontaram histórias originais de Grimm, juntamente com as americanas Meg Cabot e Lauren Kate e a brasileira Paula Pimenta. Existe diferença na forma dos autores brasileiros escreverem para jovens em relação aos estrangeiros?

Patrícia Barboza: Acho que a diferença maior está no local e cultura. Eu gosto de escrever as minhas histórias a partir de cidades que eu efetivamente conheci. A grande maioria se passa no Rio de Janeiro, pois acredito poder passar uma maior verdade para o texto. Os jovens são iguais em qualquer lugar no mundo: a mudança no corpo, os desafios de se tornar adulto, o primeiro amor, os sentimentos, os sonhos. Os livros da Meg Cabot, por exemplo. Descrevem tão bem como os jovens se sentem que leitores do mundo inteiro se identificam. O que vai mudar um pouco é o cenário. Ela usa os Estados Unidos e seus costumes. Eu uso os daqui.

LEIA  Blogmas #2 - Leituras de Natal

bate-papo com Patrícia Barboza

O seu primeiro livro, Os quinze anos de Carol, teve publicação independente. Enquanto há muitos que optam por esse caminho para entrar no mercado literário, há outros que ainda resistem. E hoje em dia há muito mais opções do que havia há alguns anos. Qual a sua opinião sobre autopublicação? Essa é um boa opção para o autor estreante?

Patrícia Barboza: Eu publiquei “Os quinze anos de Carol” e “Sai da internet, Clarice” de forma independente e não me arrependo nem um pouco! Foi a fase que mais aprendi sobre o mercado editorial, por isso sempre incentivo quem queira fazer. Mas, antes de se aventurar por esse caminho, o escritor iniciante precisa responder algumas questões:
a) O que eu conheço do mercado editorial (publicação, distribuição, etc)?
b) Quem é o meu público-alvo?
c) Qual a melhor forma de chegar até o meu público?
d) Eu saberia como vender o meu livro (estratégias de marketing, vendas, etc)?
O escritor iniciante precisa entender que terá que desempenhar várias funções: vender, distribuir, colocar livros no correio, fazer seu próprio website ou blog, interagir pessoalmente nas redes sociais. Não se pode pensar no lucro imediato, mas ver como um investimento a longo prazo.

Que dica você deixa para quem tem o desejo de se tornar escritor?

Patrícia Barboza: Que busque conhecimento, informação. Cursos (acadêmicos ou não), palestras, artigos, outros livros. Todo profissional precisa saber como funciona o seu mercado, independente da profissão escolhida. Nunca achar que sabe tudo. Sempre existe algo para aprender. Não ter vergonha! Sempre digo que se o escritor não for o primeiro a acreditar no seu produto, como vai querer que as editoras invistam nele? E que o leitor gaste o seu dinheiro, levando o livro para casa? Conheça seu público e a categoria escolhida. Não finja gostar de um determinado assunto porque “está na moda”. O texto ficará falso, o leitor não é bobo. Sendo até redundante… não seja tímido! Escritores dão muitas palestras e fazem muitas viagens. O contato com o público será constante, então seja simpático e interaja da melhor forma possível com os leitores. E, para finalizar: Sucesso e fama são duas coisas completamente diferentes. E nenhuma delas te dá o direito de se achar superior a ninguém. Não caia nessa cilada!

Para mais informações sobre Patrícia Barboza, seus livros e sua agenda em eventos, acesse o site da escritora.

Patrícia Barboza, a mais d’As Mais

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

Classificado como:            

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendado
Atenção autores com obras lançadas entre 1º de janeiro e…
error: