como publicar seu livro
Mercado Editorial

[guest post] O dia seguinte: o que vem depois que a editora resolve publicar seu livro

Você tem dúvidas de como publicar seu livro? Pois saiba que essa é uma das perguntas que mais costumo receber aqui no blog, o que significa que o que acontece depois que o escritor coloca o ponto final na história nem sempre está tão claro assim. Então, para jogar um pouco de luz nessa questão, recebo hoje o escritor Alexandre de Castro Gomes, que estará lançando três novos livros infantojuvenis em breve e criou um fluxograma muito elucidativo para quem quer saber como publicar seu livro – postado originalmente em seu blog e reproduzido mais abaixo. A partir de sua experiência, Alexandre escreveu o post a seguir para contar o que pode acontecer depois que a editora resolve publicar seu livro.

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O dia seguinte: o que vem depois que a editora resolve publicar seu livro

A primeira vez que fechei um livro com uma editora foi bem engraçada. Eu fui dormir tarde no dia anterior e acordei cedo com o telefonema. Do outro lado da linha estava o meu primeiro editor. Só que eu, claro, não acreditei. Estava tão sonado que pensei ser brincadeira de algum amigo sem noção.

– Alexandre? Aqui é da editora RHJ. Recebemos três originais seus e queremos publicar dois deles.
– Hâ? Tá. Sei. Que originais? – enrolei enquanto tentava identificar a voz do filho da mãe.
– Pensamos em lançar “O Julgamento do Chocolate” no ano que vem e…
– O quê? Maravilha!

Foi só então que eu vi que não era pegadinha. Ninguém sabia os nomes das minhas histórias. Acordei na hora. E fiquei sorrindo pelo resto da semana.

Mas esse artigo não é para falar sobre isso e sim sobre o que acontece depois.

Em um mundo perfeito, o escritor receberia o contrato em poucas semanas. O contrato de edição em língua portuguesa garantiria a publicação em até dois anos e daria 10% do valor da venda do livro para o autor do texto. Se o livro fosse vendido em e-book, os ganhos subiriam para 20% (pelo menos). O escritor poderia indicar um ilustrador (a decisão final seria sempre do editor, mas este ao menos pensaria em convidar o ilustrador indicado) e receberia com antecedência o texto revisado com algumas alterações sugeridas, além dos rascunhos das ilustrações, para aprovação. Depois aguardaria sua cota de livros em casa, teria o livro inscrito pela editora em programas de compras de governo, participaria de encontros e entrevistas marcadas pelo departamento de marketing da editora e receberia seus direitos autorais nas datas estipuladas em contrato e relatórios de vendas detalhados.

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Nada disso é impossível acontecer. Alguns editores são realmente sensacionais.

Vamos falar agora sobre aquelas vezes em que o mundo conspira contra você. Quando tudo o que pode dar errado acontece.

1) Você não recebe o contrato. Há a promessa do editor, mas o papel não chega. A explicação é bem simples. O editor sabe que terá dois anos para estar com o livro pronto a partir da assinatura do contrato. Só isso. O cronograma da editora pode estar atrasado e esse é um dos recursos que algumas utilizam. E agora? Bem, você pode esperar ou mandar o texto para outra casa editorial. Se optar pela segunda opção, avise antes.

2) Há contratos que não tem como único objetivo a edição de livros (Hã? Como não?!). Tem editoras que parecem empresariar os escritores, pedindo porcentagens absurdas caso a história vá para o teatro, TV ou cinema, mas que não fazem nada para que isso aconteça. Procure negociar. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Tome o mesmo cuidado com a publicação no exterior. A cessão exclusiva dos direitos de publicação fora do Brasil não fará sentido se isso for um trabalho que a editora não realiza.

3) Você não ganhará 10% do preço de venda. Algumas editoras pagam 8% para que o ilustrador receba os outros 2%. É um assunto que gera controvérsias. Eu, por exemplo, acho muito justo que o ilustrador ganhe sua parte em DAs, mas tal quantia poderia ser retirada de outro lugar. No entanto, esses valores são comuns. Fique de olho em editoras que oferecem menos de 8% para o escritor. Algumas nem repassam os 2% para o ilustrador.

4) Já vi editora oferecer 10% de Direitos Autorais para e-books. Vi outra oferecer 30%. É um mercado novo e estão todos ainda se adaptando. Vale tentar negociar.

5) A editora não parece levar em consideração a indicação de ilustrador pelo escritor. Isso é suuuuper comum. Muitas vezes o ilustrador indicado custa mais caro do que a editora pode pagar. Em outras, o editor de arte sugere outro artista que tenha mais a ver com o texto. Aceite. Claro, a menos que você não goste nem um pouco do traço deste.

6) O escritor não recebe o texto revisado para aprovação. Absurdo total! Ligue e brigue. Se não receber os rascunhos das ilustrações, ligue e reclame. É menos grave do que o primeiro, mas não é nada educado também. Aliás, lembre o editor de enviar o texto revisado com antecedência. É comum o envio do arquivo na véspera de mandá-lo para a gráfica, dando ao escritor um prazo curtíssimo para a aprovação final.

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7) A editora não inscreve seu livro em nenhum programa de compra de governo. Isso é muito ruim. Hoje o Governo compra mais de 60% de todos os livros de literatura infantojuvenil publicados no país. É bom lembrar a editora de inscrever seu livro no PNBE, PNLD, PNAIC e outros.

8) A editora não marca nenhuma entrevista ou encontro. Chato isso, não é? Tem coisas que ninguém faz melhor do que a gente mesmo.

9) Os Direitos Autorais não são depositados. Os relatórios não chegam. Converse com a editora. Pode ser alguma falha na comunicação. Se isso não adiantar, arrume um advogado.

Como vê, o dia seguinte pode ser o céu ou o inferno. Boa sorte. 🙂

Veja abaixo o fluxograma criado por Alexandre de Castro Gomes que mostra os caminhos para publicar seu livro (clique na imagem para ampliar):

como publicar seu livro, alex gomes

Confira as datas de lançamento dos novos livros de Alexandre no Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens 2014, que será realizado no Centro de Convenções Sulamerica, no Rio de Janeiro.
29/05 (5a) – 10h – “Folclore de chuteiras” – il. Visca – Editora Peirópolis – Espaço FNLIJ de Leitura
30/05 (6a) – 9:20h – “O corvo e o dragão” – il. Cris Eich – Globo Livros – Espaço FNLIJ de Leitura
30/05 (6a) – 10h – “Robóticos” – il. Cris Alhadeff – Editora Rovelle – Biblioteca FNLIJ para Crianças

Acompanhe as novidades do escritor no seu Blogão.

Ficou mais claro como funciona o processo para publicar seu livro? Então compartilhe esse post para que mais pessoas possam entender como funciona o mercado editorial.

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

Ronize Aline

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

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9 Comments

  1. Olá, ótimo texto e ótimas dicas.
    Essas dicas de depois de ter o original aceitei foram muito boas.
    Abraços

  2. Oi Ronize!

    Andei pensando sobre essas questões, mesmo porque já passei por todas elas.
    Será que este modelo em que o autor faz tudo e no final ganha 10% sobre a capa, ainda é viável?
    Se não final das contas temos que fazer todo o trabalho, a editora não vira uma simples gráfica?

  3. Ricardo Ramos says:

    uma dúvida: é válido registrar o nome do romance, dos personagens?

    1. Olá, Ricardo.
      O registro na Biblioteca Nacional, que é o que garante a autoria, é para a obra inteira. Não há registro de nome de romance nem de personagens. No caso de personagens, não poderíamos mais escrever nenhum livro com João, Maria, José e até mesmo Ricardo, pois já existem personagens com esses nomes. E há casos, inclusive, de livros com nomes idênticos. O importante é você registrar o seu livro depois de pronto, para garantir a sua autoria.
      Abraços,
      Ronize Aline

  4. Peter says:

    Boa noite, qual o prazo médio e máximo de um contrato de exclusividade com uma editora?
    Obrigado.

    1. Olá, Peter.

      Não existe prazo máximo, já que cada editora pode fixar um prazo e cabe a você aceitar ou não. Mas o prazo médio é de cinco anos. No entanto, já vi algumas fazerem contrato de apenas dois anos.

      Abraços,
      Ronize Aline

  5. Atlas Hutton says:

    Artigo fantástico! Amei mesmo.
    Apesar que ainda me sinto uma criança perdida num tiroteio, sem noção para onde ir, como agir kkk

    1. Olá, Atlas.
      Não se preocupe, todos se sentem assim no início.
      Boa sorte na sua jornada.
      Abraços,
      Ronize Aline

  6. giovanni says:

    ser escritor no brasil é puro sofrimento

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