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[Resenha] A Princesa e os Sapos, um conto de fadas do século XXI

 A Princesa e os Sapos, um conto de fadas do século XXI.

Todo sapo de conto de fadas quando beijado vira príncipe, certo? Errado. Há alguns que viram coisas que as princesas sequer imaginam. Mas há quem imagine, e nesse caso, uma poeta. Em seu mais recente livro, A Princesa e os Sapos, Celina Portocarrero estende seus versos ao reino infantil e recria uma máxima do imaginário coletivo. E faz isso como se poetasse para gente grande. Conheça abaixo a obra.

A Princesa e os Sapos – o livro

Uma entre tantas dicas preciosas que recebi de Marina Colasanti durante a oficina literária que fiz com ela é a de não subestimar os pequenos leitores. Nada de ficar procurando palavras conhecidas ou tornando a narrativa mais fácil. Crianças são capazes de apreciar, sim, textos bem escritos e com palavras novas. Afinal, estudos apontam que o período em que a criança mais aprende vai do nascimento até os dois anos, já que é nesse período que elas são submetidas ao aprendizado de habilidades completamente novas e que carregarão para o resto da vida, como andar e falar. Se são capazes de aprender uma língua do zero, imagine algumas palavras, expressões e frases em uma história.

A princesa e os sapos

Pois Celina Portocarrero reza pela mesma cartilha de valorização da inteligência infantil. Em A Princesa e os Sapos, a poeta desvela a magia de seus versos de forma a proporcionar momentos de puro maravilhamento. Eis um dos versos que perpassam o livro, e que traz uma cadência rítmica à história: “E era um sapo tão augusto…”. Quer reverência maior à imaginação infantil do que presentear-lhe com palavras lapidadas com tanto esmero?

A Princesa e os Sapos conta a história de uma princesa que por três vezes se aventura no bosque em busca de sapos que, quando beijados, se transformem em príncipe. A procura recorrente carrega consigo o peso do destino reservado às princesas – e que não cabe a elas questionar. Não é exatamente em um príncipe que o primeiro dos sapos se transforma. Mas, ainda trazendo dentro de si a imponderabilidade para a qual foi criada, ela retorna ao bosque. Mais um sapo, mais um susto. “E era um sapo tão augusto…”, nos lembra Celina como a alertar-nos de que sapos enganadores existem em cada esquina. Uma última tentativa, dessa vez “era um sapo já vetusto, se imaginava robusto”. Mesmo assim, não fugiu à sina dos demais em parecer o que não eram. Com maestria poética e muita sensibilidade, a autora encaminha a história fazendo a princesa reconhecer sua própria força, aprisionada por tanto tempo entre padrões e convenções. Por fim, dona de seu destino, revela o quão livres podem ser as princesas quando não subestimadas. Assim como Celina faz com seu livro, encantadoramente ilustrado por Juliana Fiorese, que une seu traço delicado a elementos de colagem para compor com a poesia do texto um belíssimo conto de fadas do século XXI.

Celina Portocarrero

Celina Portocarrero

Conheça mais sobre a poeta e tradutora Celina Portocarrero visitando o seu site.

A princesa e os sapos
Celina Portocarrero
Ilustrações de Juliana Fiorese
Memória Visual, 2013

Sobre Ronize Aline

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

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