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Meias quentinhas para aquecer o coração.

Filhos são uma grande inspiração para quem escreve para crianças. Sua imprevisibilidade e espontaneidade não raro superam a melhor ficção feita para elas, daí a tentação em eternizar na literatura o que seria apenas um episódio da infância que corria o risco de perde-se nas voltas do tempo. Esse é o caso de A menina que não gostava de meias, de Simone Magno, lançado na Primavera dos Livros e cuja resenha apresento abaixo.

A menina que não gostava de meias, o livro

a menina que não gostava de meias Voltado para crianças bem pequenas, o livro A menina que não gostava de meias, de Simone Magno, apresenta uma narrativa que encanta pela simplicidade e pela possibilidade de arrastar os pequenos  para dentro da história. Primeiro de uma série voltada para crianças até cinco anos, é também o primeiro livro infantil publicado pela editora Oficina Raquel. O objetivo da série é abordar de forma lúdica, poética e bem-humorada diversas questões próprias ao universo infantil, e que podem ser enfrentadas de forma criativa.

Sem nome, a menina que não gostava de meias pode ser qualquer uma, até mesmo Valentina, filha da autora, que nela se inspirou para escrever essa doce declaração do amor materno. E também pode ser todas ao mesmo tempo, já que a narrativa permite à criança identificar-se com a personagem de forma espontânea, numa empatia de manhas e manias que muitas vezes escapa à compreensão dos adultos. O livro traz uma linguagem que espelha a simplicidade do falar infantil. Tal qual crianças que destacam características para identificar seus amigos, Simone nos apresenta sua personagem como aquela “que não gostava de meias”, uma representação dos seus quereres mais genuínos antes do aprendizado necessário que transforma crianças em adultos. Meias são necessárias, assim como legumes, escovar os dentes e dormir cedo.

“Fazia frio, fazia chuva, e a menina que não gostava de meias teimava em pôr os pés no chão”, nos conta Simone, mostrando uma característica própria da idade: a teimosia. E quem melhor para entender os assombros da infância do que uma mãe? Enquanto pai e avó mantêm a firmeza das preocupações, é a mãe, com a suavidade do entendimento, que a acompanha nessa travessia. E esse momento de amadurecimento  Simone capta tão bem, quando a menina percebe que, por mais que ela não goste de meias, há de fazer uma concessão aos benefícios do seu uso. Mais do que aceitar o que não gosta, ela aceita que é possível mudar de opinião.

ilustração a menina que não gostava de meias

Simone escreve e Cisko Diz põe em traços e cores uma parábola sobre crescimento. Traços que privilegiam as emoções e os temores da menina, traços que explodem na página e respingam para fora do livro, traços que abraçam e confortam a história com a qual Simone nos aquece, feito carinho de mãe. E daí dá uma vontade danada de botar um “pijaminha, cobertor quentinho e um par de meinhas listradinhas”, e deitar numa cama quentinha com a mãe da gente ao lado.

Assista abaixo ao booktrailer do livro:

A menina que não gostava de meias é o primeiro livro infantil de Simone Magno, jornalista que já lançou Avelã Pirata, de poesia, e A lua depois do gravador, de contos. Ela mantém o boletim Tempo de Letras, na rádio CBN, e o blog da Simone Magno.

 

[Resenha] Meias quentinhas para aquecer o coração

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

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