Alice no Jardim de Infância
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Alice em nova versão e muitas capas

Alice em nova versão e muitas capas.

Mesmo quem nunca leu o livro propriamente dito conhece a história de Alice no País das Maravilhas. Também sabe que o livro originou-se de uma história que Charles Dodgson, conhecido pela alcunha de Lewis Carrol, criou para entreter três meninas, filhas de um amigo. O que muitos não sabem é que muitas das passagens atribuídas ao livro estão, na verdade, em Alice Através do Espelho, a continuação do volume anterior. E que na história de suposto cunho infantil residem referências políticas, sociais e culturais que a transformaram em leitura de interesse para o público adulto. Tanto que está sendo lançado no Brasil o livro Alice no Jardim de Infância, adaptação do clássico original feita pelo próprio Carrol para crianças até cinco anos, e que permanecia inédita por aqui. Esse artigo, além dessa nova edição, mostrará também diversas capas que o livro teve ao longo dos anos ao redor do mundo.

Uma menina chamada Alice

Até então desconhecida no Brasil, a adaptação de Alice no País das Maravilhas que Carroll fez para crianças até cinco anos está sendo lançada por aqui pela editora Iluminuras. Como essa versão foi produzida para crianças ainda não alfabetizadas, Carroll reescreveu a história, intitulada Alice no Jardim de Infância, de forma que se adaptasse à situação e apresentasse novas facetas da menina. Em determinado momento, por exemplo, o autor pede aos pequenos leitores que balancem o livro para cima e para baixo a fim de que o Coelho Branco comece a tremer de medo. Além disso, Carroll pediu a John Tenniel, que fez as ilustrações em preto e branco da edição original, que colorisse vinte delas para ficarem mais atraentes ao novo público. Com isso fica-se sabendo, por exemplo, que as meias que a personagem usa são de cor azul.

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Alice no Jardim de Infância
Versão para crianças até cinco anos

Carroll criou a personagem em 1862, uma das mais famosas da literatura mundial, para entreter três filhas de um amigo, o vice-reitor da Universidade de Oxford, durante um passeio de barco pelo Rio Tâmisa. Ele adorava contar-lhes histórias e inventar jogos para distraí-las. Alice, a mais nova, era a sua preferida, daí que batizou com o nome sua personagem. Em casa à noite, colocou a história no papel, chamando-a de Alice Debaixo da Terra. Dois anos mais tarde voltou a trabalhar na narrativa, acrescentando-lhe personagens e capítulos, além de mudar o título para Alice no País das Maravilhas. O livro foi lançado em 1865 e, seis anos mais tarde, foi lançada a continuação Alice Através do Espelho.

O que aos olhos das crianças poderia parecer simples maluquices, intrigava os adultos  com o que identificou-se como referências ao contexto político da época. A rainha de Copas, com sua obsessão por decapitações, era associada à rainha Vitória, enquanto que o Chapeleiro Maluco, organizador de uma estranha festa do chá, dizia-se que havia sido inspirado em um vendedor de móveis excêntricos que convivia com Carroll, Theophilus Carter.

Outras tantas referências foram apontadas na criação desse universo repleto de personagens curiosos. Costuma-se apontar a história que o Chapeleiro e a Lebre de Março contam sobre três meninas que vivem num poço de mel – Elsie, Lacie e Tillie – como uma referências às três garotas Liddell. A porta que Alice ordena ao criado Rã que abra seria a porta Norman, da sacristia da Igreja onde o pai de Carroll era reverendo. E o autor teria também utilizado as características mais marcantes de seus colegas na Universidade de Oxford para criar alguns personagens do livro que dão conselhos a Alice, como a Lagarta, o Dodô e Humpty Dumpty. Além disso, o dia do chá maluco, 4 de maio, teria sido escolhido por ser o verdadeiro dia do aniversário de Alice Liddell.

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Eu sou uma apaixonada por Alice. Tenho algumas edições aqui em casa, mas a riqueza de detalhes, referências e jogos de raciocínio tornam a narrativa difícil de ser lida para os menores. Por isso não vou resistir e vou já comprar esse Alice no Jardim de Infância para meu pequeno de cinco anos.

Alice ao redor do mundo

Alice e suas aventuras vêm sendo publicadas ao redor do mundo constantemente. E as capas de suas edições são um espetáculo à parte. O blog Literatortura publicou um artigo com diversas capas de Alice. Inspirada por eles, vou mostrar a seguir  algumas capas que ilustram aquele artigo e outras tantas.

Alice por John Tenniel
Ilustrada por John Tenniel, o primeiro ilustrador, 1898
Alice por Mabel Lucie Attwell
Ilustrada por Mabel Lucie Attwell, 1910
Alice, 1916
Livro de 1916

 

 

Alice, 1951
Livro de 1951
Alice edição francesa, 1974
Edição francesa de 1974

 

Alice, 1986
Livro de 1986

 

Alice Rússia
Edição russa de Alice
Alice, edição japonesa
Edição japonesa de Alice, 2009
Alice, italiano
Edição italiana de Alice

 

Alice por Hugh D'Andrade
Alice por Hugh D’Andrade, 2010

  Alice

Alice Brasil Zahar
Edição brasileira da Zahar, ilustrações de Tenniel
Alice por Luiz Zerbini
Edição brasileira da Cosac Naify, ilustrações de Luiz Zerbini

Qual a sua capa preferida de Alice?

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

Ronize Aline

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

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2 Comments

  1. Amor seu blog, muito bom… Adoro seus posts tem me ajudado muito… Beijos

  2. Desculpa escrevi rápido, era para ser amo* seu blog e não amor.

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