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Mercado Editorial

A melhor editora para o seu livro

A melhor editora para o seu livro.Há quem diga que a melhor editora para o seu livro é aquela que decidir publicá-lo. Mas, antes disso, há um (geralmente) longo caminho pela frente. Nesse artigo irei dar algumas dicas de mercado editorial sobre como escolher as editoras com maior potencial de editarem seu original.Já comentei que foram nove anos desde o momento em que considerei meu primeiro livro, O dono da Lua, pronto para publicação até ele ser efetivamente editado.

melhor editora para enviar original

Durante esse tempo, entrei em contato com várias editoras, enviei o original e, na maioria das vezes, não obtive uma resposta sequer. Quando recebia, era uma carta agradecendo o interesse pela editora em questão, mas “infelizmente nosso catálogo já está preenchido e não estamos abertos a novos autores” – uma frase-chavão que me acostumei a receber. E as cartas chegavam tão rapidamente que, certamente, nem havia dado tempo de sequer abrirem o original para saberem do que se tratava a história.

Gastei muito com cópias do livro e custos de envio, já que até algum tempo não era tão comum as editoras aceitarem envio de material online. Mas eu achava que, quanto mais editoras recebessem meu original, mais chances eu teria de ele ser publicado. Certo e errado. Sim, aumentando o número de editoras a que seu texto está exposto, pode aumentar as chances de alguém se interessar por ele. Mas apenas se essas editoras têm o perfil de seu livro, ou, dizendo de outra maneira, se o seu livro se encaixa no perfil da editora.

Aprenda a escolher a melhor editora para enviar seu original

Depois de várias cartas de rejeição, acabei deixando o projeto engavetado por um tempo para cuidar de alguns projetos pessoais. Quando resolvi novamente apresentá-lo ao mercado editorial porque achava que tinha potencial para publicação, fiz uma triagem bem mais acurada de para onde iria enviá-lo. Havia decidido que dessa vez seria mais seletiva, já que mandar para muitas editoras não se mostrara tão efetivo assim.

Um primeiro critério de seleção é escolher editoras que se mostram abertas a receber propostas de novos escritores. Uma navegada cuidadosa no site da editora dá para perceber se eles acreditam na importância de investir em autores inéditos e, caso esteja indicado que “não avaliamos material que não foi solicitado por nós”, nem gaste seu tempo e dinheiro. Provavelmente seu original não será nem mesmo aberto.

Um segundo critério é o gênero do livro. O dono da Lua é um livro infantil e, apesar de muitas editoras contarem com esse departamento em sua estrutura, nem sempre ele merece grandes investimentos. Mais uma vez, uma busca pela internet pode lhe dar valiosas informações sobre o tipo de livro que publicam, se primam pela qualidade dos títulos e o quanto investem em sua edição. Algumas já deixam bem claro que certos gêneros não são publicados ali.
Um terceiro critério a ser considerado é o tamanho da editora. O mercado editorial pode ser dividido entre grandes (ou gigantes) editoras, geralmente formadas por conglomerados internacionais que vieram para o país e adquiriram editoras menores, e pequenas editoras. É comum querer ser publicado por uma grande editora, podendo contar com toda uma estrutura de edição e posterior divulgação do livro. Editoras menores costumam ter o orçamento reduzido, e a parte que normalmente recebe menos investimento é justamente a divulgação – essencial para que o público saiba que seu livro existe e se interesse por ele.

As vantagens de uma editora pequena

Quando se trata de estreantes na literatura, as editoras menores apresentam uma vantagem sobre as demais: devido ao menor número de autores (e também à ausência de autores-celebridades), o contato é muito mais próximo e seu livro pode receber uma atenção que não receberia em uma gigante editorial – onde o autor estreante é apenas “mais um” no processo. O dono da Lua acabou sendo editado pela Escrita Fina Edições, um editora que tinha apenas dois anos na época e especializada em literatura infantojuvenil, o que me garantia a valorização do meu livro, que tem temática infantil.

Livro de estreia

E essa se mostrou, realmente, a melhor editora para o meu livro. Além de ser uma editora especializada, os ainda poucos autores permitiam que eu acompanhasse de perto todo o processo de edição e fosse “ouvida” em minhas expectativas. O livro foi ilustrado pela competente Martha Werneck, ilustradora sugerida pela própria editora que prima pela qualidade editorial e valorização tanto da obra quanto do autor. Consegui, ali, desenvolver uma relação editora-autor que, certamente, seria muito difícil se eu estivesse em uma editora de grande porte.

E o livro publicado foi muito além do que eu poderia esperar para uma autora estreante. Como resultado, está trilhando um caminho extremamente gratificante: foi selecionado pelo Governo do Estado de São Paulo para fazer parte do Programa Livro na Sala de Aula 2013 e ser distribuído em todas as escolas de ensino fundamental do estado, foi selecionado para o mesmo fim pela Prefeitura de Contagem (MG) e recebeu o Prêmio Werner Klatt 2012 de Excelência Gráfica na categoria Livro Infantil.Por isso, antes de sair enviando seu original para todas as editoras, é preferível fazer uma seleção prévia a partir de critérios que são importantes para você. Ter claro em sua mente seus objetivos ajuda na hora de optar por uma ou outra. Com certeza isso lhe poupará tempo e dinheiro.No site do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), você encontra uma lista de editoras brasileiras com as respectivas informações de contato. Esse é um bom ponto de partida para você  começar a fazer a sua seleção.

E você, já teve alguma experiência com mercado editorial? Conte para gente como você fez, ou está fazendo,
a seleção da editora para enviar seu original.

Ronize Aline

Escritora, crítica literária, jornalista e professora universitária. Trabalha com criação de textos e preparação de originais. Desenvolve cursos e palestras na área de Criação Literária e Escrita Criativa.

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